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Autor Raul Drewnick visita o Colégio Degrau

Foi diante de rostos atentos e respondendo a muitas perguntas que o autor de livros Raul Drewnick esteve participando de um encontro com os alunos do 4º ao 9º ano. Os alunos leram seus livros no 1º Bimestre/2009: A Hora de Decisão, A Grande virada, Vencer ou Vencer, Correndo contra o destino e Um inimigo em cada esquina.

RAUL DREWNICK VALORIZA O HOMEM COMUM EM SUA NOVA OBRA

O corintiano Raul Drewnick é louco por livros. E, na mesma proporção, também por futebol. O escritor acabou de publicar mais um título pela Ática, A Hora da Decisão, obra que pertence à coleção "Vaga-Lume Júnior", direcionada para crianças a partir de 10 anos.

"Sempre li muito, desde os 6 anos. Entrei no jornal O Estado de S. Paulo em 1960, como revisor, e a partir de 1986 comecei a escrever crônicas para o Caderno 2 do Estadão", conta Drewnick.

"Meu primeiro livro só viria a ser publicado em 1990; em 13 anos de atividade literária, já lancei 14 títulos. Contudo, a verdade é que meu grande sonho era ser jogador de futebol."

Drewnick chegou a treinar no Corinthians quando tinha 14 anos, jogando como ponta-direita. "Passei pela famosa peneira e fui convidado a voltar ao clube. Quem não gostou nada dessa história foi minha mãe. Minha nullcarreiranull de jogador encerrou-se ali."
Acompanhe a seguir a entrevista exclusiva que o escritor Raul Drewnick concedeu ao Boletim Ática.

Boletim Ática: Como você analisa o trabalho de escrever para os jovens?

Raul Drewnick: De uma imensa responsabilidade. Durante muitos anos, escritores importantes consideravam uma excrescência escrever exclusivamente para jovens leitores. Na época, muito do que se oferecia a esse público eram histórias de palhacinhos e bruxinhas. Acredito que não haja mais espaço para fantasias dessa natureza. Quando você fala de literatura para uma classe de 60 alunos que vivem em condições precárias, é essencial sair desse mundo do faz-de-conta e valorizar as condições reais de vida dessas crianças. Vale lembrar, também, que os dados objetivos demonstram que a literatura juvenil brasileira está entre as melhores do mundo. Meu livro A Hora da Decisão alinha-se com a corrente literária que traz à luz a difícil realidade de milhões de crianças e jovens no país.

Boletim Ática: Fale um pouco sobre o enredo de A Hora da Decisão e a inclusão dos chamados heróis anônimos na história.

Drewnick: Essa história de heróis anônimos me fascina desde o tempo em que escrevia crônicas para o Estadão e, depois, para a Veja. Normalmente, as primeiras páginas dos jornais abrem espaço para os déspotas ou líderes de países que fogem com milhões de dólares que pertencem aos seus povos. Essa gente tem espaço cativo na imprensa. Admiro quando alguma crônica fala do alfaiate, do açougueiro, daquele sujeito pelo qual passamos no dia-a-dia sem lhe dar a devida importância. O enredo do meu livro segue essa trilha. O garoto Róbson tem em seu pai, Zé Estêvão, um verdadeiro herói. Este, de sua parte, trabalha na rua, no setor da economia informal, vendendo relógios. Róbson, por outro lado, não dá muita bola para a mãe, Joana. No correr da trama, entretanto, o garoto percebe que a mãe é muito importante, é o esteio da família, aquela pessoa que carrega a cruz dos principais afazeres diários, até com muita elegância. O mote do meu livro é valorizar a pessoa comum.

Boletim Ática: Você acredita que exista uma função social na narrativa literária?

Drewnick: Acho, sim, que existe uma função social na literatura. Isso me faz lembrar de uma frase do dramaturgo Eugène Ionesco da qual gosto muito: "A literatura não existe para resolver problemas, a literatura existe para expor problemas". Certas obras literárias acabam promovendo mudanças políticas e sociais, mas como efeito secundário. Não gosto da literatura que é feita para ser política, para defender um partido político, por exemplo. Lembro do episódio que envolveu a escritora Rachel de Queiroz quando ela estava começando na literatura. Ela desligou-se do Partido Comunista Brasileiro quando um militante quis pautá-la, literariamente falando. Ela descobriu naquele momento que as idéias correntes dentro do partido não serviam a um escritor que desejasse manter-se livre e disponível para criar. A literatura, na minha opinião, pode e deve tratar de problemas, mas a solução desses problemas não cabe a ela.

Boletim Ática: Como você vê o impacto do futebol na formação do jovem brasileiro?

Drewnick: O futebol é muito importante por aqui, é uma espécie de vitamina para a auto-estima nacional. Muitos desses jovens que levantam taças, frutos de conquistas em clubes e seleções, são observados por bilhões de espectadores em todo o mundo. Se eles não tivessem aptidão para o futebol, talvez estivessem presos em alguma penitenciária. Pela Ática, publiquei vários livros que têm o esporte como tema principal: Vencer ou vencer, A grande virada e Correndo contra o destino.

Boletim Ática: Algum novo livro à vista?

Drewnick: Tenho nada menos do que seis livros com enredo juvenil esperando a época oportuna para sua publicação.